sábado, 31 de julho de 2010

Tantos dias de calor...

... e hoje que eu queria madrugar e ir para a praia, o Sol resolveu esconder-se.
Mas ainda assim deu para uma passeata rápida pela praia e um almoço em família, menos mal...

Oficialmente já entrei de baixa. Falta cerca de um mês e já estava a precisar de descanso. Qualquer mínimo esforço a barriga contrai-se e começo com um desconforto enorme. São normais as contrações nesta fase, o que não se quer é que sejam intensas ou que tenham muita frequência, que era o que eu já estava a sentir. Este descanso vai certamente fazer-me muito bem a mim e ao bebé. Pode ser que ele entretanto resolva dar a volta!

Por outro lado, a semana tem sido cheia de incêndios florestais devido às elevadas temperaturas que nos têm atingido, normalíssimas para esta época do ano mas que deixam sempre a sua marca no nosso território. E agora que o Sol está mais fraco hoje espero que os incêndios também comecem a tornar-se menos frequentes! Era bom, não era?

quinta-feira, 29 de julho de 2010

34 semanas

Bom dia alegria!

Já passou mais uma semaninha e o final está a aproximar-se com muitas expectativas e preocupações. Entretanto, ontem fui a nova consulta com a enfermeira e a minha médica e fiquei por um lado mais descansada porque não deram grande importância à história das contracções, mas por outro lado um pouco preocupada pois o bebé continua sentadinho e a médica diz que acha que ele não vai virar.

Pois eu acho que ainda dá tempo! Ainda pode acontecer, faltam algumas semanas e tem estado tudo a correr bem, porque é que ele não haveria de dar a volta? Se bem que assim não posso descartar a hipótese de cesariana.

Na segunda-feira tive mais uma aula de preparação para o parto. Esta foi acerca da Bioteca e da criopreservação de células estaminais. Acreditem que foram quase 2 horas desesperantes! O tema até pode ser interessante, mas fechada numa sala com este calor no dia mais quente do ano, estava a destilar completamente. Estava a ficar desesperada por sair dali! E o que me ficou na cabeça depois de toda aquela conversa foi: se é assim tão importante e tão vital fazer esta espécie de seguro de vida para prevenir uma possível cura, para uma suposta doença que possa afectar o nosso filho, então como pode esta gentinha vir vender um produto a preços tão exorbitantes? Fazem os pais sentir-se mal por não poderem dar tudo o que "deviam" aos seus bebés e sentir-se culpados se um dia algo acontecer e não se tiver precavido com este "seguro" como lhe chamaram.

Elsa Filipe



sexta-feira, 23 de julho de 2010

Massagem do períneo

Aqui fica um excerto de um artigo que me enviaram do "Sapo": http://familia.sapo.pt/johnson/calendario_de_gravidez/o_seu_corpo/828842.html:
Muitos médicos recomendam massagens perineais (a zona em redor da vagina) para ajudar a evitar rasgões durante o parto. Nem toda a gente se sente confortável a fazer esta massagem, e não é garantido que ajude em todos os casos, mas, se quiser tentar, é agora a altura de começar. Veja como se faz:
* Lave as mãos e depois sente-se num local quente e confortável, afastando as pernas numa posição semi-reclinada. Aplique nos dedos e nos polegares óleo de vitamina E (de cápsulas de vitamina E) ou óleo vegetal puro, bem como em redor do períneo.
* Introduza os polegares cerca de 2,5 cm a 3,5 cm no interior da vagina (até ou um pouco após a articulação da falange). Ao mesmo tempo, comprima para baixo, em direcção ao recto, e para fora, em direcção aos lados. Suave e firmemente, continue a esticar até sentir um ligeiro ardor ou pontada. Mantenha este estiramento durante cerca de 2 minutos — até o incómodo começar a desaparecer.
* Massaje lenta e suavemente a parte inferior do canal vaginal, para a frente e para trás, cruzando os polegares nos lados do canal vaginal e puxando suavemente estes tecidos para a frente, do mesmo modo que fará a cabeça do bebé durante o parto. Mantenha esta pressão durante cerca de 3 a 4 minutos.
* Proceda com suavidade, dado que um movimento vigoroso pode magoar ou provocar o inchaço destes tecidos sensíveis. Durante a massagem, evite pressionar a uretra (abertura de passagem da urina), já que pode causar irritação ou infecção.

Preparação para o parto

Na quinta-feira fiz 33 semanas de Gravidez e começamos as aulas de preparação para o parto.
A enfermeira chama-se Cláudia e parece ser bastante acessível e prestável. Na 1ª aula foi só apresentação e um pouco de conversa informal, com as mães e os pais a apresentarem-se e a dizerem o que esperavam das aulas. Como trabalho de casa, temos de responder a duas perguntas:
- "O que é a massagem do períneo?"
- "O que é o plano de parto?"
Assim que souber as respostas e as fundamentar coloco aqui no blog.

Pelo que a médica do HGO me disse eu devia fazer repouso pela queda, mas isso não invalida a frequência das aulas, desde que as contrações não regressem ou que eu não me sinta mal durante as mesmas. Por isso, estou a continuar a trabalhar, uma vez que também não tenho pachorra para estar em casa sozinha e vou frequentar as aulas. Na 4ªfeira que vem, tenho consulta com a minha médica assistente e vou saber a opinião dela.

Tenho-me sentido bem, embora mais cansada e inchada que o habitual. Tenho notado mais o peso da barriga - que agora já se nota bem! - e tenho estado menos sonolenta, mas com um cansaço geral maior, quando me mexo um pouco.

As aulas vão ser boas para conhecer as outras grávidas e falarmos sobre o que sentem e os receios que todas temos. Por isso, também vou colocando aqui algumas coisas que for aprendendo e espero os vossos comentários e opiniões.

Um grande susto!

Na terça-feira apanhei um enorme susto que me valeu muitas nódoas negras e uma noite passada no Hospital. Ia a descer uma calçada, escorreguei e fui mesmo toda ao chão, tipo "baleia" a dar à costa, não sei se estão a ver!
Claro que me assustei imenso porque pensei que tinha logo acontecido alguma coisa ao bebé, mas felizmente não.
No entanto, fui mesmo ao Hospital e, acabei por ficar internada, porque estava com contrações!
Mas não pensem que foi pela queda, porque estas já eu as tinha desde várias semanas e nem sabia. Aquela sensação de barriga rija e que parece que se sente o contorno do bebé e até quase se vê através da pele onde está a cabeça a fazer pressão? Sim, uma novidade para mim, isso são contracções e eu não sabia que as tinha. Pensava que eram dolorosas e como, nunca, senti qualquer dor, nunca pensei que estava a ter contracções.

Ligaram-me no CTG, vieram ver o traçado e faziam caras feias a olhar para ele e eu sem perceber muito bem o que se estava a passar.
Perguntaram-me à quanto tempo as contracções tinham começado e eu: "Que contracções?"
Pois a verdade é que a sensação de barriga rígida já tinha começado à várias semanas e cada vez eram mais intensas.
Faltava pouco para as 33 semanas, mas como é que já me estavam a avaliar o "colo do útero", me fizeram assinar autorizações para cesariana e me internaram logo no bloco?

Felizmente, depois de alguma medicação, muito soro, várias ecografias vaginais e outros exames incomodativos, e uma noite ligada no CTG, de manhã deram-me alta para ir descansar para casa.
Parece que com o bebé está tudo bem, eu é que estou toda dorida e negra da queda! Mas agora já sei: estas pressões e rigidez são de facto contrações e, embora possam ser normais, se forem muito repetidas podem indicar sinal de parto ou até sofrimento do bebé.

Uma lição bem tirada.

Fiquei a conhecer o serviço de obstetrícia de uma forma diferente. Felizmente havia urgência obstétrica no Garcia de Orta, o que nem sempre tem acontecido nestes últimos dias.
Adorei as duas médicas que me assistiram e as enfermeiras também me pareceram óptimas. Qualidades destas a reter:
-muito atenciosas;
-explicavam todos os procedimentos que iam fazendo;
-falavam com calma e davam-me tempo para fazer perguntas e tentar descontrair (dentro do possível).

segunda-feira, 19 de julho de 2010

Tudo em reboliço

Olá.

No sábado fui fazer a 3ª ecografia e, tal como eu calculava, aqui a minha beleza tem andado em rebuliço! Um menino que se apresentava já em posição cefálica, agora está comodamente sentadinho!

Tem o belo peso de 2160 gramas, pelo que vem na Ecografia, por isso acho que já é grandinho!

Ora pois, que eu agora ando com dores nas costas, sem posição para estar sentada e que trabalho, todo o dia... sentadinha!

domingo, 11 de julho de 2010

A sala de 1 ano:

Esta postagem vem na continuidades da anterior, uma vez que é importante estarmos a par de quais são as competências a serem atingidas pelas crianças da sala de 1 ano. Em primeiro lugar para nos situar-mos, existem alguma áreas e dentro destas as competências que se espera serem atingidas. Aqui deixo alguns exemplos que podem servir para os vossos próximos projectos de sala, não seja esta uma faixa etária com a qual adorei trabalhar e, que muitas vezes, ao falar com colegas, noto algumas dificuldades em programar rotinas e perceber o que é suposto conseguirem atingir.

Aqui ficam três áreas, embora hajam outras também muito importantes:



Área de Formação pessoal e social:

- Conhecer pouco a pouco o seu corpo e identificar algumas partes, construindo progressivamente uma imagem positiva de si mesma;

- Expressar as próprias emoções e reconhecer as dos outros;

- Adquirir progressivamente a coordenação e o controlo dinâmico do próprio corpo em actividades sensório-motoras e sentir gosto e prazer nelas;

- Adquirir progressiva autonomia nas rotinas e actividades quotidianas, colaborando com o adulto e desfrutando-as.

Área do Conhecimento do mundo:

- Observar e explorar activamente o seu meio imediato através da ajuda do adulto;

- Adaptar-se progressivamente à vida da escola e do grupo;

- Orientar-se nos espaços habituais e deslocar-se autonomamente pouco a pouco;

- Participar progressivamente nos grupos com os que se relaciona, aceitando o afecto que lhe é dirigido e expressando os seus sentimentos no âmbito de relações afectuosas e equilibradas;

- Descubrir, observar e explorar os objectos do seu meio, organizá-los e compartilhá-los;

- Observar os animais e plantas do seu meio com a ajuda do adulto.

Área da Expressão e Comunicação:

- Compreender e utilizar, de maneira progressiva e correcta, a linguagem oral e gestual para comunicar;

- Desfrutar a ouvir textos diversos, tais como contos, lenga-lengas, canções e reproduzir algumas palavras;

- Aumentar progressivamente o tempo de concentração e o número de palavras retidas durante os períodos de desfrute de uma história ou canção, ou outra...

- Utilizar as diferentes formas de representação e expressão com gosto e prazer e ir-se familiarizando com algumas técnicas;

- Fazer uso progressivo de técnicas e recursos básicos das diferentes formas de representação e de expressão, assim como ir reconhecendo a pouco e pouco a imagem (símbolo) do seu nome e identificar os seus pertences e espaço próprios;

- Reconhecer sons do meio e onomatopeias de animais;

- Utilizar a um nível muito elementar as possibilidades da lógica matemática para descrever propriedades de alguns objectos e situações do meio.

Alguns benefícios da creche para os mais pequeninos

Hoje o meu piolhito está farto de se mexer e revirar no pouco espaço que lhe resta. Aliás, mexer é o que ele mais faz nos últimos dias, anda sempre em grande farra, principalmente quando eu queria era descansar.
Momentos de tão grande proximidade vão terminar em pouco tempo, tão perto que está o nascimento do M. Já está quase, dizem que é para o princípio de Setembro... vamos ver.
Daqui a alguns meses já estarei decidida sobre várias dúvidas que tenho agora. Por exemplo, se será melhor colocá-lo em Creche ou numa ama. Este tema já aqui foi falado, mas nunca é demais acrescentar mais algumas reflexões, ou não concordam?

Afinal de contas, a criança colocada em creche, juntamente com outras crianças e educadora, tem relativamente pouco contacto com a mãe? Não correrá o risco de desenvolver com esta uma ligação insuficiente e insatisfatória, afectando consequentemente todo o seu desenvolvimento? Sinceramente não me parece e, como educadora sei que uma educação conjunta pode ser muito benéfica para o bebé, uma vez que na Creche terá experiências que não tem em casa e vice-versa.

Muitos pais, tal como eu, também vivem o dilema de saber como decidir sobre o que será melhor para os seus filhos e sobre as consequências da separação materna e acolhimento em creche. É que como já referi (e atenção que agora vou apenas falar das boas creches, aquelas em que é permitido experimentar, tocar, cheirar, sujar... crescer, brincar...) na Creche, o bebé tem acesso a novas e incríveis experiências, que lhe permitem crescer em todos os aspectos do seu desenvolvimento.

Sujar-se pode ser benéfico, pois permite à criança uma variedade de sensações que, em segurança, lhe dão prazer e a conduzem a diferentes aprendizagens. Oh, como eu gostaria que, se o meu filho fosse para uma Creche, lá pudesse ter estas oportunidades. Para as crianças tirar a terra dos vasos, partilhar a comida dos animais, ou comer o que encontar caído no chão não são porcarias mas uma forma de explorar o mundo e tentar apreender mais sobre o que a rodeia. Aqui cabe aos pais e aos educadores, como modelos que a criança segue, mostrar o que podem e o que não podem fazer, o que está correcto e o que é errado. A criança aprende a sentir "nojo" por imitação dos pais, por lhes copiar as expressões de desagrado. Este modo de reagir é apreendido por volta dos 30 meses e depende muito do meio cultural da criança.

Os pais, assim como quem cuida do bebé, devem procurar entender que, por exemplo, brincar com a comida e entornar o conteúdo do prato ou talher ajuda a criança a familiarizar-se com os alimentos, a aceitá-los melhor e a treinar-se no manejo dos talheres.

Mas também há outras actividades que, para evitar que as crianças pratiquem actividades verdadeiramente pouco saudáveis, se pode propor:

- ensiná-las a pintar com os dedos ou mãos;

- deixá-las brincar com um alguidar com água;

- deixá-las brincar com a pá no caixote de areia;

Desta formas as crianças aprendem muitas coisas novas como texturas e temperaturas diferentes, cheiros, etc. e, mais tarde ou mais cedo, acaba por abandonar a investigação do lado "sujo" do mudo.
E das mamãs que aqui me lêem e seguem, quem não se lembra de em criança sentir prazer ao brincar com areia, terra, água? Fazer bolos de terra e espetar pauzinhos em cima a fazer de velas? Quem nunca fez?

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Grande reportagem

A não perder hoje à noite: "A Escola no Jardim", na TVI. Uma reportagem acerca do ensino em zonas rurais. Pelas imagens que têm passado a anunciar, parece-me ser bastante interessante.

Para quem se interessa e se preocupa com a Educação dos nossos mais pequeninos, como já é hábito neste blogue.

sábado, 3 de julho de 2010

E já lá vão...

... 30 semanas, feitas na passada quinta-feira.
Novidades?

Bem...

... noites sem dormir, alguém sabe o que é?
Será que é assim que o nosso organismo perfeito de mães nos prepara para acordar de hora a hora, para mamadas, mudas de fralda, acalmar choros, cólicas?

... pés inchados e a suar, suar, suar...

... falta de paciência para estar parada ou a esperar por algo (bem, isto não é novidade, é até bastante habitual).

... uma infecção urinária (esta para mim também foi novidade porque não tinha sintomas nenhuns) Até já terminei o antibiótico.

... muito sono, muito, muito sono e, como não durmo à noite (sei lá porquê) de dia ando sempre a bocejar e sem energia nenhuma para nada.

Para quem acha que já viu de tudo:


Que comentários fazem a esta imagem?
Eu ainda estou a reflectir...

Será que é a mãe? Eu isso não sei, enviaram-me a imagem por mail, junto com outras super carinhosas de animais selvagens (uma leoa, uma ursa...) a tomar conta dos filhotes, a protegê-los, no sentido de contraste com esta imagem do homem, como animal racional, mas que muitas vezes não deixa também de ser selvagem...

Faz de conta - parte 1

Põe uma saia e faz-de-conta que é uma bailarina. Dança descalça pela cozinha e logo depois desaparece para o quarto, onde se deita no chão. Olha as estrelas no seu céu imaginário e ouve o som das ondas da sua praia de fingir, com areia que se enfia entre os dedos dos pés e o mar frio que a chama para nadar com a Pequena sereia e o peixe Nemo.

Parece um sonho, brincadeira de crianças, imaginário que depois desaparece quando crescem, mas afinal o brincar e "fazer-de-conta que", é não apenas uma forma de entretenimento mas uma concepção educativa com valor próprio no desenrolar da vida da criança, desde tenra idade.

Com o desenvolvimento da educação a partir da criança, as atividades lúdicas passaram a ser valorizadas na escola como poderosas ferramentas para a aprendizagem de conteúdos "científicos" e de comportamentos socialmente desejáveis.


"Agora eu sou a mãe e tu a filha, tá bem?"

Pestalozzi, Drecoly, Montessori, Claparéde, John Dewey, Wallon, Piaget, Vygotsky, Freinet, Peter Slade e Bruner, entre outros, já se tinham debruçado na sua época sobre a importância do jogo no desenvolvimento intelectual da criança e, ainda hoje, este tema desperta o interesse de grandes pesquisadores como Gilles Brougére, Artin Goncü, Suzanne Gaskins, Bárbara Rogoff, James Wertsch, Tia Tulviste, Bert van Oers, Tizuko Kishimoto, Gisela Wajskop e Zilma Oliveira, entre outros.
Apesar de esta ideia de que o jogo é educacionalmente importante já estar presente no pensamento de Platão e Aristóteles, é apenas nos séculos XVIII e XIX que com as pedagogias advogadas respectivamente por Rousseau e Fröbel, se estabeleceram as bases necessárias para a construção de práticas educativas que passam a incorporar o lúdico de forma sistemática na educação e é com a difusão da ideia da Escola Nova que a crença no valor educativo do jogo atinge o seu ponto fulcral.
Brougére e os seus colaboradores destacam o que seriam os atributos essenciais do jogo:
(a) o conceito de jogo está sempre impregnado de valores e concepções do mundo de determinada cultura; (b) todo jogo funciona segundo um sistema de regras explícitas ou implícitas;
(c) o jogo pode ser materializado em objectos (por exemplo, nas peças e tabuleiro do jogo de damas).

De acordo com a proposta terminológica de Tizuko a palavra brincadeira deve ser utilizada apenas para se referir à "descrição de uma conduta estruturada, com regras" ou à acção que a criança desenvolve no acto de brincar. "

Ora, a brincadeira do faz-de-conta, por ser uma actividade que não prescinde do uso da imaginação, contém já - em si mesma - pelo menos uma regra: a criança deve agir de acordo com os significados culturais dos objectos e relações sociais representados dramaticamente no seu "faz-de-conta" lúdico. Quer dizer, ela, a criança, precisa actuar no faz-de-conta de maneira que os significados eventualmente emprestados a si mesma, aos objetos, parceiros de brincadeira e às suas acções sejam "verosímeis", adequados a determinada matriz de comportamento cultural, ou seja, que pareçam "verdadeiros":

"A criança imagina-se como mãe e a boneca como criança e, dessa forma, deve obedecer ás regras do comportamento maternal.(...) Sempre que há uma situação imaginária no brinquedo [faz-de-conta], há regras - não as regras previamente formuladas e que mudam durante o jogo, mas aquelas que têm sua origem na própria situação imaginária". Assim sendo e, segundo Vygotsky, a noção de que uma criança pode se comportar numa situação imaginária sem regras [assimilação deformante] é simplesmente incorreta.

Segundo Lopes, brincar é uma das actividades fundamentais para o desenvolvimento da identidade e da autonomia. Enquanto brinca a criança pode desenvolver algumas capacidades essenciais como a imaginação, a atenção, a memória e a imitação. Amadurecem também algumas capacidades de socialização, através da interação, da utilização e da experimentação de regras e papéis sociais.

Pouco se conhece do comportamento de crianças em situações de escolha livre e de brincadeira, embora estes momentos sejam bastante observados no quotidiano das crianças, seja em casa, seja junto dos seus pares na sala de Creche ou J.Infância.



Fontes consultadas:
- http://br.monografias.com/trabalhos913/crianca-pre-escolar/crianca-pre-escolar2.shtml
- LOPES, Vanessa Gomes, Linguagem do Corpo e Movimento, Curitiba, 2006;
- http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/A0358.pdf