Ainda ninguém veio comentar ao mitos que coloquei na primeira postagem sobre este tema. Ninguém se atreve?
E quanto aos desejos? Daqueles que não podem mesmo ser contrariados? Que coisas malucas lhes apetecia comer durante a gravidez? Dizia-se que "a pena poderia recair sobre a pessoa que não permitiu a realização desse desejo e sobre o próprio bebé."(1)
Ainda há o mito de fetos que "adormeciam no ventre materno e aí permaneciam vários anos. E esta era uma teoria sustentada pelo direito Muçulmano que autorizava um período de gravidez que podia ir até aos cinco anos."(1) Ora se houvesse subsídio pré-natal nessa época, imaginem os bebés de cinco anos que nasciam?
"As gravidezes longas, dizia-se, eram fruto do medo que o bebé tinha do parto e da sua recusa categórica em sair do ventre da mãe."(1)
"Avernois, ilustre filósofo e médico árabe do século XVII, conta a história de diversas mulheres que engravidaram, apesar da ausência do acto sexual." E eram diversas as explicações para esse fenómeno, que iam desde águas minerais que engravidavam as mulheres até se desconfiar do próprio vento: "Fetos microscópios, provenientes da condensação e evaporação do esperma deixado ao ar livre eram um perigo para qualquer mulher."(1)
Estas teorias eram valorizadas pelo desconhecido que envolvia a gestação e tudo o que se passava na barriga de uma mulher. Na Idade Média acreditava-se no nascimento de "bebés com cabeça de gato, homens com mãos e pés de boi ou com pele de serpente."(1) Muitas destas descrições poderiam derivar de deficiências desconhecidas à altura e que foram passando de boca em boca até aos nossos dias e como quem conta um conto acrescenta um ponto, tomariam proporções alucinantes.
Nos dias que correm as proibições de fazer isto ou aquilo continuam a povoar o imaginário popular e qual é a grávida que nunca ouviu uma dessas proibições ou relatos de coisas que aconteceram com o bebé X ou Y da família ou dos vizinhos do lado.
"Se tem azia, o seu filho vai nascer com muito cabelo" - então o meu vai ser cabeludo de certeza -, "quando a grávida tem a cara feia, é porque está à espera de uma menina"(2)- oh p'ra mim tão linda à espera de um rapaz!
Bibliografia:
(1)AMORIM, Mª João, "Gravidez, mitos e superstições", Pais e Filhos, Agosto de 2002;
(2)"Verdades e mentiras", Superbebés, Maio de 2010, pp. 8 a 12;
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segunda-feira, 23 de agosto de 2010
sexta-feira, 20 de agosto de 2010
Mitos na gravidez - parte 1
Esta é uma postagem para as que como eu esperam o primeiro filho (e não só), mães de primeira viagem e que "engravidam pelas orelhas" como se diz na minha terra. Para as que se dividem entre o que diz a vizinha e o que diz a médica assistente, entre o que diz a sogra e o que diz a avó, sem saber para que lado se hão-de virar, em quem acreditar, ou mesmo quando não rir para tentar parecer simpática.
Os mitos são ditos que passam de geração em geração, de boca em boca e podem ser diferentes de terra para terra. Se calhar serão mais usuais nas aldeias pequenas, mas nas cidades também se ouvem embora não tenham um peso tão acrescido. Muitos deles sabemos logo que são fantasias que já têm barbas enquanto que outros nos poderão fazer ficar a ponderar na sua veracidade.
Desde os mais incríveis relatos de acontecimentos algo "sobrenaturais" e inexplicáveis até à influência das fases da Lua, muitos são os mitos que povoam os nove meses que dura habitualmente a gestação. Algumas mulheres ainda acreditam em alguns e seguem à risca ditos e costumes. Mas de onde, na história, nos chegam esses mitos?
"Já ninguém acredita que uma mulher só por comer grandes quantidades de chocolate vai ter um filho negro. Ou que até ovos de galinha podem sair do ventre de uma grávida." Havia ainda quem ponderasse sobre a quantidade de esperma necessário para conceber um bebé perfeito."(1)
Na verdade pouco se sabia do que se passava no interior do corpo humano e a concepção e a gravidez eram um dos maiores mistérios da antiguidade.
E quanto à dúvida de ser rapaz ou rapariga? "Parménides acreditava que a semente masculina e a semente feminina travavam no útero uma luta e a que vencia dava o seu sexo à criança." Para "Hipócrates, médico grego, considerado o pai da medicina (...) o testículo direito gerava rapazes e o esquerdo raparigas, daí que na Grécia antiga muitos homens atassem ou até removessem o testículo esquerdo por forma a terem filhos machos."(1) Tendo em conta a não existência de anestesia, imaginem como era ser mulher naquela altura, se os homens preferiam suportar essas dores a terem uma filha!
Outros ainda se ouvem nos nossos dias: "grávida de um rapaz, a mãe sente-se bem disposta, alegre e bonita" (oh, oh p'ra mim tã linda! eheh), "grávida de uma rapariga, ela está triste, rabujenta, adoentada e pálida", ou até outros como a "observação do ventre materno: a forma arredondada ou a forma pontiaguda é sinal do nascimento de um rapaz... ou rapariga, consoante as opiniões. E depois há o teste do pêndulo."
Aqui ficam apenas alguns dos exemplos que encontrei. Certamente pelo país/mundo fora haverão muitos outros. Convido-vos a partilhá-los e, quanto mais inacreditáveis, melhor!
Bibliografia:
(1)-AMORIM, Mª João, "Gravidez, mitos e superstições", Pais e Filhos, Agosto de 2002
Os mitos são ditos que passam de geração em geração, de boca em boca e podem ser diferentes de terra para terra. Se calhar serão mais usuais nas aldeias pequenas, mas nas cidades também se ouvem embora não tenham um peso tão acrescido. Muitos deles sabemos logo que são fantasias que já têm barbas enquanto que outros nos poderão fazer ficar a ponderar na sua veracidade.
Desde os mais incríveis relatos de acontecimentos algo "sobrenaturais" e inexplicáveis até à influência das fases da Lua, muitos são os mitos que povoam os nove meses que dura habitualmente a gestação. Algumas mulheres ainda acreditam em alguns e seguem à risca ditos e costumes. Mas de onde, na história, nos chegam esses mitos?
"Já ninguém acredita que uma mulher só por comer grandes quantidades de chocolate vai ter um filho negro. Ou que até ovos de galinha podem sair do ventre de uma grávida." Havia ainda quem ponderasse sobre a quantidade de esperma necessário para conceber um bebé perfeito."(1)
Na verdade pouco se sabia do que se passava no interior do corpo humano e a concepção e a gravidez eram um dos maiores mistérios da antiguidade.
E quanto à dúvida de ser rapaz ou rapariga? "Parménides acreditava que a semente masculina e a semente feminina travavam no útero uma luta e a que vencia dava o seu sexo à criança." Para "Hipócrates, médico grego, considerado o pai da medicina (...) o testículo direito gerava rapazes e o esquerdo raparigas, daí que na Grécia antiga muitos homens atassem ou até removessem o testículo esquerdo por forma a terem filhos machos."(1) Tendo em conta a não existência de anestesia, imaginem como era ser mulher naquela altura, se os homens preferiam suportar essas dores a terem uma filha!
Outros ainda se ouvem nos nossos dias: "grávida de um rapaz, a mãe sente-se bem disposta, alegre e bonita" (oh, oh p'ra mim tã linda! eheh), "grávida de uma rapariga, ela está triste, rabujenta, adoentada e pálida", ou até outros como a "observação do ventre materno: a forma arredondada ou a forma pontiaguda é sinal do nascimento de um rapaz... ou rapariga, consoante as opiniões. E depois há o teste do pêndulo."
Aqui ficam apenas alguns dos exemplos que encontrei. Certamente pelo país/mundo fora haverão muitos outros. Convido-vos a partilhá-los e, quanto mais inacreditáveis, melhor!
Bibliografia:
(1)-AMORIM, Mª João, "Gravidez, mitos e superstições", Pais e Filhos, Agosto de 2002
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