sábado, 29 de dezembro de 2012

2012

O ano está a terminar. Foi um ano de crise, o ano da Troika, o ano em que milhares de pessoas ficaram sem emprego. Cada vez são mais os que têm de ir à sopa dos pobres. Este foi o ano em que reparei na carrinha que vem à minha praceta e distribui sacos com comida e roupa a algumas famílias. Pessoas que vivem no meu prédio e nos prédios em redor e com quem me cruzo na ida para o trabalho ou no regresso a casa. Posso dizer que para mim este ano foi bom. Tive trabalho, ganhei sempre o meu ordenado e não tive de ir pedir. Nos tempos que correm, poder ir ao supermercado e escolher o que queremos comer é um luxo. Não peço mais.


Para 2012, desejo que a situação do país melhore, para que eu não perca o meu trabalho e para que o meu ordenado continue a chegar ao fim do mês como tem acontecido até aqui. Às vezes basta olhar para o lado e perceber a sorte que temos. Na profissão que exerço, lido com os lados mais opostos da vida. A vivenda luxuosa que nos ofusca e em que até quase sinto vergonha de entrar e de pisar os tapetes e logo a seguir a barraca onde vive uma família nas condições mais desumanas da miséria. Lido com a vida e com a morte. Com a velhice, com o suicídio, com a desgraça. Lido com uma gravidez planeada e um casal feliz, com a gravidez escondida de todos e o filho que não se quer e se vai dar para adoção. Lidei este ano com mais do que muitas vezes consegui suportar. Lidei com lágrimas, com sorrisos, com palavras de raiva e de amor, com desabafos de traição e de agressões escondidas entre quatro paredes. Mas estou aqui e quero continuar.

Este ano foi bom pois pude pintar a cara de muitos meninos felizes. Pude ganhar algum dinheiro a fazer o que me dá prazer. Pude partilhar algumas tardes bem passadas na companhia de muitas crianças.

Este ano foi melhor porque abracei um novo projeto. Um projeto que já exigiu muito de mim e que tem vindo a melhorar a minha prestação como formadora, mas também como pessoa.

E com esse outro projeto veio: os meus meninos e meninas que um dia talvez sejam bombeiros, mas que já vestem a farda e que, para meu orgulho, querem ser melhores e aprender tanto, que às vezes, fico na dúvida se o que sei será suficiente para os ensinar e guiar.

Este ano foi bom: o meu primeiro livro foi publicado, mesmo que a minha participação tenha sido uma de entre várias, foi o meu primeiro livro e isso basta para me fazer sentir orgulhosa. E por falar em orgulho: o meu bebé está cada vez mais crescido! Aos meus olhos, o meu pirata é o mais lindo! E acima de tudo: está bem e saudável, o que se pode bem dizer: é uma sorte! Uma sorte que outras mães como eu, não têm e sofrem todos os dias pelos seus pequeninos. Força Mariana, força Maria Inês. O próximo ano será melhor.

Perdi um pouco o contato aqui no blogue, mas conheci outros locais com os quais me identifiquei. Conheci mamãs orgulhosas e babadas e percebi que não sou só eu que faço asneiras. Ser mãe ajuda-nos a crescer e todos os dias aprendemos. Não há um manual e não existe perfeição na maternidade.
2012, está a terminar. Que termine em grande!

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