quarta-feira, 29 de julho de 2009

Literacia Emergente

O que se faz para aprender a ler?

E para escrever?

 
Olá amigos bloguistas.

Na vossa opinião, que capacidades são necessárias desenvolver afinal para se conseguir aprender a fazer esta actividade tão humana, tão especial e tão necessária?

Aqui vos deixo algumas ideias sobre este tema, mas espero também as vossas próprias ideias e opiniões.
Ao fazer alguma pesquisa sobre este tema, li que aos seis anos, ou antes, ao entrar na escola a criança toma contacto com a língua escrita... hum, isto não é verdade de todo na minha modestia opinião.

O que acho é que esta capacidade é muito anterior. Antes, muito antes, começam-se a desenvolver capacidades diversificadas de literacia nas crianças, direccionando-se para aspectos distintos, tais como: a aquisição da capacidade de distinguir símbolos e de os interpretar, ou seja de lhes atribuir um significado.

Esta é uma das mais maravilhosas capacidades de que a mente humana é capaz!




A aprendizagem da leitura começa antes da aprendizagem das letras: quando alguém lê e a criança escuta com prazer.

A identificação dos signos que compõem a linguagem escrita (esta actividade pressupõe que o leitor faça a correspondência entre grafemas e fonemas) e, a compreensão do significado da linguagem escrita (o que pressupõe um acto de interpretação por parte do leitor), ou seja, é necessária a capacidade de pensar e de comunicar em abstrato, a qual tem tanto de inato como de aprendido, cabendo ao Educador, promover desde cedo o desenvolvimento desta capacidade.

Aprender a ler implica que a criança reconheça que as frases que ouve e com as quais tem contacto são compostas por palavras e as palavras sílabas, e as sílabas por letras - ou seja, consciência fonética. Implica ainda entender que as letras do alfabeto são a representação gráfica desses mesmos fonemas - consciência alfabética.


A Consciência Fonémica é uma competência difícil de adquirir porque, na linguagem oral, não é perceptível a audição individual de cada fonema. O Princípio Alfabético é igualmente difícil devido às irregularidades existentes nas correspondências fonema <=> grafema.

Para aprender a ler é ainda necessário saber juntar os diversos fonemas e sílabas – Fusão Fonémica e Silábica; saber segmentar as sílabas e os fonemas constituintes das palavras – Segmentação Silábica e Fonémica – e saber encontrar a pronúncia correcta de cada palavra para aceder ao seu significado.


Aprender a ler, pressupõe interpretar os conteúdos e atribuir-lhes significado. Esta interpretação evolui ao longo do desenvolvimento da criança e relaciona-se com a compreensão de outras informações que a criança obtém através de outros sistemas de comunicação além da escrita.

A compreensão da informação linguística depende do desenvolvimento das capacidades cognitivas para seleccionar, processar e (re)organizar informações, bem como os níveis de compreensão da língua.

No que respeita em especial ao nível pré-escolar,
"é de esperar que tanto
mais rico será o processo de aquisição da linguagem
quanto mais estimulante for o meio linguístico que o
Educador conseguir proporcionar no seu espaço de trabalho"
(ME, 1997).

A criança vai aprendendo através da brincadeira com os seus pares, nos jogos de faz-de-conta, nas cantilenas, nas rimas que ouve, nas histórias que lhe lêem à noite antes de dormir. Aprende, criando expectativas sobre o que ouve e ficando curiosa em desvendar o belo mundo dos livros e das letras. A criança "decora" a história que mais gosta e que mais vezes pede para ouvir, apaixona-se pelas personagens, treme com medo do dragão e vibra de emoção, e são estes sentimentos que lhe vão transmitindo o prazer da leitura.


Aos pouco ela adquire a consciência fonética e alfabética, muito embora seja sabido que as crianças em idade pré-escolar têm tendência a confundir o nível do significante
com o do significado, associando a forma da palavra aos atributos do seu referente, para o qual a palavra remete em termos do seu sentido.

Assim, é típico que uma
criança julgue, que a palavra formiga é uma palavra mais
pequena do que a palavra
boi. A criança entende que, sendo "formiga" um "animal" de menores dimensões a palavra será também a mais pequena.











O desenvolvimento da consciência fonológica e de palavra permite
assim à criança construir progressivamente a ideia
de que a forma da palavra é independente do referente
para o qual remete e concentrar-se na avaliação do comprimento da cadeia sonora, para que, futuramente, possa associar a extensão da cadeia sonora à da cadeia gráfica.


Já a consciência sintáctica, enquanto capacidade de
reflexão ao nível da frase, manifesta-se geralmente na
capacidade de avaliar a sua gramaticalidade/ aceitabilidade,
corrigindo-a ou justificando a sua correcção.


Também a este nível, é fundamental que o Educador tenha em consideração
que a emergência da consciência sintáctica é, como nos diz Gombert (1990), mais tardia do que a consciência fonológica ou de palavra, uma vez que a criança tem dificuldade em se abstrair do conteúdo da frase e, em vez disso, focar a sua atenção sobre a forma - ou sintaxe - da mesma.



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