sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

Crianças mal-amadas

Este tema tristemente passa muito aqui por este blogue. Mas como educadora sinto que tenho, tal como os outros cidadãos, a obrigação de comunicar e denunciar as várias situações que vou tomando conhecimento, seja pelas notícias, seja por outros meios.

Que se passa com o nosso mundo que permite que crianças sejam soldados em conflitos armados, empunhando armas às vezes maiores que elas, matando e sendo mortas? Conflitos que além da morte direta, deixa as zonas onde vivem na maior miséria possível de imaginar, deixando bebés e crianças morrer de fome, ou estropiadas por minas terrestres, abandonadas muitas vezes à sua sorte?

E que mundo é este que nos deixa perplexos sempre que abrimos os jornais diários e vemos pais que violaram filhas durante anos, sob a proteção do medo? Aqui mesmo ao lado, no nosso país, na nossa cidade, no nosso bairro? E que fazemos nós contra isso? A denúncia é a forma mais eficaz de proteger e amar estas crianças, porque elas precisam que deixemos de lado o medo e a vergonha, e as sejamos capazes de amar, dar voz e proteger de quem as maltrata. Que é difícil? É. Que muitas vezes fica tudo na mesma? Sim, talvez em alguns casos isso aconteça, mas a cidadania não é só votar nas eleições, nem apenas participar na vida comunitária do nosso bairro ou na associação mais próxima. Ser cidadão é também dar voz a um menino que sofre. É ativar os meios para que seja protegido. É apoiar as Instituições que os acolhem.

Os maus tratos passam pelas agressões físicas e verbais, pelos abusos sexuais, pela fome e má-nutição. Também maltrata uma criança a mãe que fuma com um bebé ao colo. E quantas de nós fazemos alguma coisa? Eu aqui confesso. Vi isso acontecer esta semana, junto ao Hospital G. Orta, uma mãe (uma mulher penso que era a mãe, mas isso também não importa para aqui), sentada com um bebé de cerca de 6 meses ao colo. Ela fumava e o bebé dormitava de cabeça caída para a frente, gorro de lã na cabeça que lhe tapava os olhos. Ela só depois de acabar o cigarro, se apercebeu e endireitou o gorro. Porque não pediu a alguém para lhe pegar no bebé e se afastou um pouco para poder fumar, se isso era mais importante que o bebé que tinha no colo? E eu não fiz nada contra isso e sinto-me mal por isso. É a vergonha em lá ir e enfrentar, sermos críticos e sim!, metermo-nos na vida dos outros, que nos fazem calar e ser cúmplices destas situações.

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