sábado, 18 de dezembro de 2010

Parto na água - Portugal e o mundo

O parto na água é, para algumas mulheres, a concretização de um sonho. Ele permite a junção de dois elementos que mexem muito com a natureza humana: a água e a emoção do nascimento de um filho.

Tal como escrevi num post anterior, sobre este mesmo tema, conto com a participação das mamãs ou futuras mamãs para me deixarem o vosso contributo enriquecedor: as vossas experiências e expectativas. Assim, isto do parto na água tem muito ainda que se lhe diga. "É o parto onde a água é usada como elemento de relaxamento (para a mãe) durante o trabalho de parto."(1)

Mas há riscos? Sim e não. Sim como em qualquer trabalho de parto, mas se for feito com segurança e de forma informada, é apenas uma forma diferente do bebé nascer. Mais do que riscos, traz benefícios. "O bebé pode nascer debaixo da água ou não. Por definição o parto na água é o que o bebe nasce tendo a mãe o genital totalmente coberto de água."(1)

"Uma mãe primípara não deve entrar na banheira antes de atingir 7 cm de dilatação (pois diminuiria a progressão da dilatação). A que tiver o segundo ou terceiro bebé pode entrar desde que atinja 6 cm."


O que se faz pelo mundo e no nosso país:

Esta experiência não parece ser muito vasta se tivermos em conta outros países.
Em Inglaterra a realidade é diferente da do nosso país: "mais de metade das maternidades públicas britânicas têm piscinas de parto"(1), enquanto "em Portugal não existe esta opção. Falta conhecimento, sensibilidade e, sobretudo, condições logísticas para os hospitais poderem oferecer esta técnica."(2)

Em França, na maternidade de Pithiviers de onde Odent foi director a ideia do parto na água é uma realidade. Este é um hospital público, cuja maternidade "se tornou conhecida no mundo inteiro graças as idéias de seu diretor, o Dr. Odent, que dava uma atenção peculiar as parturientes. Ele procurava atender a uma reivindicação da mulher moderna: a de ser respeitada como mulher, principalmente num momento tão particular de sua vida, como o momento do nascimento."(3)

"Em Pithiviers acreditava-se que o parto não fosse uma doença, mas um ato natural e delicado e que a mulher tem condições de parir na maneira e na posição que ela própria desejasse. À medicina, a partir de então, só deveria providenciar a segurança necessária, sem desprezar as manifestações instintivas ligadas ao acto."(3)

"Em Portugal não se olha para o parto como um acto fisiológico, olha-se sim do ponto de vista mádico. Com eventuais riscos à partida e constante necessidade de intervenção."(2)

Segundo Victor Varela, enfermeiro obstetra, "a utilização da água no trabalho de parto, em recipientes adequados, é uma forma de favorecer o parto normal e fisiológico" o que poderia ser conseguido se se mudassem algumas mentalidades.(2)

Esta é uma notícia de 2008, mas ilustra bem o que por cá se faz pelos nascimentos em contexto aquático:
Simão Pedro foi o primeiro bebé português a nascer dentro de água em conetexto hospitalar. O parto aquático realizou-se terça-feira, numa banheira portátil, na Ordem da Lapa, no Porto, e teve o acompanhamento de duas enfermeiras, um obstetra e um pediatra.
Simão é assim o 17.º bebé a nascer dentro de água no nosso país, mas o primeiro numa unidade hospitalar. As outras 16 crianças nasceram em ambiente domiciliário. Em todo o mundo, estão registados cerca de 45.000 nascimentos na água.
"Com 2,8 kg, Simão Pedro nasceu em boas condições de saúde", contou, ao JN, Isabel Ferreira, uma das enfermeiras especialistas em saúde materna e obstetrícia que acompanharam os pais do bebé antes e durante o nascimento.
"O parto durou três horas e meia e foi antecedido de duas sessões preparatórias em duas piscinas da cidade", sublinhou Isabel Ferreira, que esteve propositadamente na Bélgica, durante uma semana, a participar num curso sobre esta modalidade de nascimento.
"A água alivia a dor, permite um parto mais rápido e sem auxílio de medicamentos", especifica a enfermeira.
Por definição, o parto na água acontece quando a mãe dá a luz com os genitais totalmente cobertos de água, embora o bebé possa nascer dentro ou fora da mesma.

Para um parto em boas condições, a água deve estar aquecida, entre 35 e 37 graus celsius, aumentanto a irrigação sanguínea da mãe e a diminuição da pressão arterial, além do relaxamento muscular.
Alguns médicos defendem que o parto na água pode não ser seguro, porque o bebé pode aspirar água. No entanto, os registos de incidentes nos partos aquáticos são muito raros.
Além da enfermeira Isabel Ferreira, o primeiro parto aquático numa unidade hospitalar em Portugal foi clinicamente acompanhado pela enfermeira Teresa Marinho e pelas médicas Matilde Cordeiro e Lurdes Lemos. (4)
Bibliografia:

(1) - http://doulasdeportugal.blogspot.com/2005/06/o-parto-na-gua.html
(2) - AMORIM, Mª João, "Filhos da água", Pais e Filhos, Julho de 2005;
(3) - http://diariodeumanovamae.blogspot.com/2009/10/o-parto-dentro-dagua-de-michel-odent.html
(4) - http://jn.sapo.pt/PaginaInicial/Sociedade/Interior.aspx?content_id=967068

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