segunda-feira, 18 de julho de 2011

Depressão pós parto

É um problema não apenas das mães, mas também dos pais. Sim, os homens - embora com menor frequência - também podem manifestar sintomas de depressão. Normalmente ocorre durante o primeiro ano de vida do bebé e mais tardiamente do que na depressão feminina. A entrevista de Ana Catarina (Sábado) a Will Courtenay revela-nos algumas ideias que, confesso, eu não tinha sobre este problema.

"No início dos anos 90, Will Courtenay começou a reparar que alguns dos seus pacientes ficavam deprimidos depois de se tornarem pais."(1) Will é um psicoterapeuta norte-americano, especialista em depressão pós-parto masculina. Decidiu explorar este problema e ajudar estes homens a recuperar, criando o http://www.saddaddy.com/.

Neste site, o psicoterapeuta apresenta vários artigos (em inglês) com o intuito de "Helping Men Beat the Baby Blues and Overcome Depression".

As causas são variadas e não muito diferentes da depressão pós-parto das mães: a privação de sono, as alterações da rotina diária a que um bebé leva todas as famílias e os ciúmes do próprio bebé, que agora prende a atenção da mãe 24 horas por dia.

"Muitos homens começam a ter sentimentos de cólera com mais frequência e envolvem-se em mais conflitos. Passam a consumir mais bebidas alcoólicas ou drogas, sentem-se frustrados e têm comportamentos violentos e impulsivos." Quando observamos famílias que se começam a desestrururar quando o momento seria de união, há que analisar se as causas dessa desestruturação e do aumento dos problemas domésticos e familiares não se deve ao aparecimento de sintomas depressivos num dos membros da casal.

"Por vezes isolam-se da família e dos amigos, sentem-se desanimados, cansados, têm dores de cabeça ou problemas intestinais, dificuldade de concentração e passam demasiadas horas no local de trabalho."(1) É mais fácil para os homens manifestarem a dor física do que a dor emocional e por isso, mais rapidamente se tornam violentos do que choram.

Por vezes estes homens rejeitam os bebés. E também se sentem terrivelmente culpados por terem esses sentimentos. Nas crianças, esta rejeição pode também ter repercussões futuras, ficando "mais agressivos e com dificuldades na escola."
"O apoio das mulheres é fundamental." Do marido elas esperam que seja um pilar de apoio, mas quando a doença surge, as mulheres manifestam uma força imensa.

A depressão é uma condição clínica, não uma fraqueza de caráter. A melhor maneira de uma mulher apoiar o seu marido é ser paciente."

Bibliografia:
- ANDRÉ, Ana Catarina, Entrevista a Will Courtenay, revista Sábado, nº 289; (ano 2009)

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