sexta-feira, 22 de julho de 2011

Mães trabalhadoras...

... crianças infelizes?

Desde já respondo: Não. Não tem de ser necessariamente assim.
Primeiro, nem se coloca a questão dos pais que trabalham. Fala-se da mãe. Mas e o pai, não será também tão importante? No nosso país a lei é desigual entre os direitos da maternidade e da paternidade. Criam-se bebés dependentes das mães e por isso elas se sentem culpadas ao ter de os deixar com alguém. São responsáveis por eles e arcam com essa responsabilidade mesmo quando esta parece ser repartida com o outro projenitor - isto na maioria dos casos e salvo algumas exceções, claro está.

A ansiedade de ir trabalhar e deixar a criança com outra pessoa - na creche, na ama, com os avós - é real e eu passei (e ainda passo) por ela, mas trabalhar é uma necessidade tanto economica, como social e de realização pessoal. Sempre trabalhei e tive horários preenchidos. Com a chegada do Martim tive de me adaptar mas não deixei de fazer nada do que fazia antes. Mas claro que por vezes, dou comigo a pensar que poderei não estar presente quando os marcos da vida dele acontecerem: as primeiras palavras, os primeiros passos... e isso deixa-me triste.

"A separação torna-se muito difícil porque, à medida que o tempo vai passando, a ligação entre mãe e filho aumenta."(1) Concordo com este facto, mas não é também verdade que esta ligação pode ser ela mesma transmissora de segurança emocional para a criança e, complementarmente, para a mãe? Para a criança - ou bebé - porque esta vinculação facilita a aquisição da sua própria autonomia e essa é indispensável para uma boa adaptação à ama ou à Creche, e para a mãe, porque ela sabe que o seu bebé está seguro e que vai ficar bem e que esta experiência será enriquecedora para o seu crescimento. Por outro lado, temos de pensar que há aquisições que só serão feitas fora do ambiente familiar. "Há especialistas que defendem a integração de uma criança pequena na creche. Esta decisão permite-lhe que se relacione desde cedo, com outras pessoas."(1)

"Ao estimular o seu filho a criar relações de amizade fora do núcleo familiar, está a facilitar o processo de separação entre si e o seu bebé." - Bem, nem tanto ao mar nem tanto à terra, um bebé cria relações, mas não sabe o que é amizade - apenas mais tarde irá desenvolver essa capacidade - enquanto que a noção de separação, surge bem mais cedo.

Bem vistas as coisas, não me culpo de ir trabalhar ou de ir a formações, porque sei que o meu bebé fica bem na ama ou na casa da avó. Muitas vezes, tenho dificuldade em encontrar quem fique com ele durante as horas de formação ou nos casos de ter de trabalhar aos fins-de-semana, mas tudo se tem resolvido. Quando é preciso, falto ou encontro outras formas de dar a volta à situação. O ideal é haver uma adaptação em família e sabermos com quem podemos contar nas horas de maior aperto. E, claro está, primeiro está o meu bebé, isso nem é posto em causa!

(1) - ESTEVES, Carla Oliveira, "Mães trabalhadoras, crianças infelizes?", Crescer com Saúde, nº 141;

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