terça-feira, 28 de setembro de 2010

Cesariana: necessidade ou nem tanto?

Ontem nasceu mais um membro da família, uma menina que já me disseram ser muito cabeluda! Foi um parto programado, de cesariana porque parece que a bebé também se encontrava sentada. Assim, esta foi a opção pensada e escolhida pelo médico e pela mamã para a bebé nascer. Tirendo esta e outras justificações, a verdade é que muitas vezes se opta pela Cesariana por motivos que não serão para o meu entender os mais válidos, o que tem levado a um aumento considerável da taxa de Cesarianas no mundo e, também, no nosso país.

"Acredita-se que o recurso à Cesariana tem vindo a ser utilizado de forma excessiva, sobretudo nos países desenvolvidos, sendo poucos os que conseguem manter a taxa de cesarianas inferior a 15%, como recomendado pela OMS."(1)
"Em Portugal, cerca de um em cada quatro bebés, nasce actualmente por cesariana."(2) "Há mesmo unidades de saúde privadas onde a taxa de intervenções cirúrgicas no parto é superior a 85%"(3)

Mas a história das Cesarianas já tem mais de 500 anos!
Se outrora era um método muito perigoso e com uma elevada taxa de mortalidade, a evolução da ciência e, em particular da medicina, têm vindo a reduzir esses números de forma muito acentuada. "A primeira cesariana em mulher viva foi realizada em 1500 na Suíça. Até meados do séc. XIX, a cada três partos por cesariana, um resultava em morte."(2)

Muitas serão razões válidas do ponto de vista do bem-estar da mãe e do bebé, enquanto outras serão apenas uma forma de privilegiar determinada data de forma a ter por perto o médico que seguiu a mãe durante a gestação, sem qualquer outro motivo. Estas últimas ocorrem mais frequentemente do que o desejado devido a induções que nem sempre se realizam "na altura mais adequada, nem com o colo do útero suficientemente maduro."(4)
 
Por outro lado, os próprios médicos fazem-no como uma defesa na medida em que a cirurgia lhes permite na maioria dos casos um controlo maior sobre toda a situação, enquanto que no parto vaginal este controlo é partilhado pela mãe e pelo próprio bebé, existindo outras variáveis a ponderar.
 
Mas esta necessidade prende-se também com questões de raíz legal, como uma defesa para os profissionais de saúde, uma vez que "à mínima questão os médicos são confrontados com queixas por negligência."(4)

Há que ter em atenção que "a cesariana é um procedimento cirúrgico que possui indicações concretas, devendo ser praticada quando os benefícios obtidos superarem os riscos potenciais. Estes últimos são, no entanto, cada vez mais raros, devido à existência de melhores condições de trabalho nas nossas maternidades, à evolução na monitorização fetal e materna, à criação de melhores condições de recobro pós-operatório e, não menos importante, aos avanços na área médica da anestesia."(2)


Bibliografia:

(1)-BERNARDO, Ana, "Cesarianas: abrir e fechar quantas vezes?", Pais e Filhos, Outubro de 2005;
(2)-RIBEIRO, Isabel e HIDALGO, Juan, "Cesariana: qual o tipo de anestesia adequada?", Pais e Filhos, Dezembro de 2005, pp.18 e 19;
(3)-AMORIM, Mª João, "Sai uma cesariana", Pais e Filhos, Janeiro de 2006;
(4)-JORGE, Carlos Santos, in: AMORIM, Mª João, "Sai uma cesariana", Pais e Filhos, Janeiro de 2006;

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