sexta-feira, 12 de novembro de 2010

Mãe sente, bebé reage

Como é que as nossas acções e as emoções que sentimos, são sentidas pelo bebé que aí vem?

"Desde o momento da fixação do futuro embrião às paredes do útero, até ao final da gravidez, muita coisa pode acontecer."(1) Existe um conceito chamado Inteligência fetal, uma identidade própria a cada feto c e uma relação especial entre mãe e filho que começa antes do nascimento.

À medida que evolui, o feto vai adquirindo conhecimento potencial, ou seja, um conjunto de representações (pré-concepções) que, desde sempre, são inconscientes e determinam reacções e comportamentos, bem como uma intuição inata a que podemos chamar inteligência fetal."(1) Esta inteligência começa a criar-se através das próprias acções do feto ainda dentro da barriga materna, quando começa a conhecer o seu corpo e quando começa, mais tarde, a receber sensações do mundo exterior. Está de facto, intimamente ligada à relação que mãe e bebé vão criando desde cedo. A sua voz mais calma ou mais irritada origina reacções diferentes no bebé.


Hoje conhece-se muito melhor o que se passa no interior do ventre humano e sabe-se que o feto "é um ser humano em formação e que reage a estímulos, chupa o dedo, dorme e acorda, tem movimentos respiratórios, movimenta-se à procura de posições que lhe sejam mais confortáveis, boceja e soluça, sorri e chora..."(2)

"Sabe-se, inclusive, que as atividades executadas por ele não são sem sentido, cumprem objetivos: não só deglute o líqüido amniótico para se alimentar como regula o volume de ingestão; os movimentos realizados desenvolvem as articulações e ossos e as experiências sensoriais são fundamentais para o desenvolvimento do cérebro."(2) Ele também "escuta a voz materna e paterna, os sons internos e viscerais da mãe, como a digestão sendo realizada, os batimentos cardíacos, a circulação sangüínea, o ressoar do sono materno, a sonoridade do mundo externo que lhe chega abafada, porém audível."(2)

Reconhece-se também que o "feto sofre com a influência das emoções maternas e que o levam a participar na manutenção e determinação do final da gravidez, seja prematuramente, através do aborto ou gravidez a termo."(2)
Se na barriga, mãe e bebé se unem pelo cordão umbilical, ao nascer, fisicamente separados, mãe e bebé iniciam uma nova etapa nas suas vidas. Esta nova etapa está intrinsecamente marcada pelos aspectos positivos e negativos que foram ficando gravados no inconsciente do feto e que moldam as suas primeiras aprendizagens.

O sistema nervoso do bebé:

O sistema nervoso do bebé é o seu inconsciente. "Muito semelhante ao «disco rígido de um computador», compara Eduardo Sá, psicólogo e investigador, o sistema nervoso funciona «sem que exija grandes cuidados de manutenção, processando quantidades e complexidades de informação muito significativas»."(1) Quando nasce, o bebé traz já no seu "genoma, um conjunto de informações, lapidadas ao longo da evolução das espécies, e que são de extrema utilidade para a sobrevivência de um animal tão sofisticado como é um bebé".(1)

"Esse mesmo sistema associa informações e, acrescenta o psicólogo, «encaminha toda a informação que recebe organizando-a em diversas 'pastas' a que poderemos chamar pensamentos». Cada experiência vivida dá lugar a mais informação, «que o sistema nervoso, espontaneamente, analisa e associa»."(1)
"Precisamente, porque o sistema nervoso, «tem competências auto-organizadoras e associativas que estruturam e processam a informação», ou seja, temos dentro de nós, desde os primórdios dos tempos, um centro de formação dos pensamentos que é um verdadeira caixa milagrosa de sabedoria potencial."(1)


Relação emocional:

Existem alguns efeitos negativos que a mãe pode provocar inconscientemente no seu bebé. "Desde logo, sabe-se que o stress que a mãe possa sentir em certos momentos da gravidez é um dos factores com maior influência no estado emocional do feto. Tem reflexos claros não só na relação que a mãe estabelece com o feto, como este é igualmente afectado pelos próprios sintomas da mãe."(1)

"A angústia sentida pela mãe, e que se manifesta de diversas formas, como «aceleração do batimento cardíaco, da pressão arterial, sudorese, tremores ou dilatação da pupila» provoca a produção de substâncias como a adrenalina e a dopamina, que atravessam a placenta e chegam ao feto, provocando-lhe sofrimento."(1)

Mas "se as perturbações emocionais persistentes da mãe são responsáveis por crianças com distúrbios, que vão do choro à falta de apetite e muitas cólicas, apresentando já no útero baixa de peso e grande agitação, o relaxamento e a satisfação maternal reflecte-se numa tranquilidade e igual relaxamento no feto."(1) "Essa relação emocional também pode ser afectada no sentido contrário: recém-nascidos hiper-sensíveis à estimulação ou hipo-activos também afectam a mãe, retirando-lhes a tranquilidade e o equilíbrio. A relação emocional é, portanto, recíproca."(1)

Esta relação emocional já era falada por Piaget, na importância que dava ao contacto materno como forma primordial de relação da criança com o meio que a rodeia, ao ser amamentada por exemplo. Também Freud definiu a relação da criança com a mãe e com o pai, como apresentando resultados diferentes consoante os Estádios Emocionais em que se encontrava e os estímulos que recebia.

Para Erikson existem 3 categorias que, na sua génese, duplicam os Estádios de Freud. O primeiro é a dualidade confiança vs desconfiança. "A qualidade do modo como o bebé é tratado, o cuidado e o afecto que acompanham o acto de comer, abraçar, dar banho e vestir a criança desenvolvem em si sentimentos de confiança ou de desconfiança."(3) Ora, será para nós mamãs, fácil perceber como esta teoria é tão real na prática.


Bibliografia:

(1)-http://www.paisefilhos.pt/index.php/gravidez/gesta-menu-gravidez-67/237-desenvolvimento-psicolo-do-feto?showall=1;
(2)-http://guiadobebe.uol.com.br/psicgestante/a_vida_emocional_do_feto.htm
(3)-SPRINTHALL, Norman e SPRINTHALL, Richard, "Psicologia Educacional", Mc GrawHill;

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