sexta-feira, 29 de outubro de 2010

Contacto materno - primeira relação humana

"A primeira relação humana que o bebé aprende a estabelecer é com a mãe", sendo com ela "que desenvolve a primeira relação social e afectiva marcada por uma grande dose de dependência."(1)


A importância do contacto pele com pele precoce foi estudada por dois investigadores norte-americanos (Klaus e Kennell) nos anos 70. Os seus estudos revelaram "que os bebés colocados junto das mães, pele com pele, logo após o parto e que assim permanecem durante uma hora revelam, nos dois anos seguintes, uma ligação de maior qualidade com as mães. Outra constatação é o desenvolvimento linguístico dessas crianças que é, também, mais rápido do que o habitual."(2)

Após o parto, esta vinculação torna-se num acto de conhecimento mútuo, "e que termina num gesto físico de adopção daquele filho como seu."(2)

Este gesto foi depois desenvolvido como método de estimulação de bebés prematuros acreditando-se que o contacto pele com pele beneficiava o seu crescimento e desenvolvimento em diversas áreas - método cangurú. Por outro lado, a relação entre mãe e bebé é a base das relações humanas que o bebé vai desenvolver ao longo da vida. A segurança que esta primeira relação lhe transmite facilita posteriormente a sua confiança, a comunicação, o pensamento e a própria aprendizagem ao longo da vida.


"Um bom desenvolvimento intelectual e emocional também está dependente das carícias e do amor que as mães transmitem aos filhos."(1) Se um bebé se sentir amado e confortado será um bebé mais calmo. Quando chora, sua forma básica de comunicação com as pessoas que o rodeiam, o bebé está a transmitir uma mensagem, uma solicitação que precisa de ser respondida - fome, sono, desconforto, aborrecimento, dor...
Pelo contrário, "um bebé negligenciado ou ignorado pelos pais", segundo o pediatra norte-americano T. Berry Brazelton sente "uma espécie de vazio desesperado que se evidencia nos seus choros."(3) Estas crianças "mal amadas" pelas mães apresentam nos seus primeiros anos de vida "um atraso no seu desenvolvimento."(3) Estes bebés perdem a capacidade de antecipação das suas acções e a relação causa-efeito que é a base das suas aprendizagens e do conhecimento do mundo. Tornam-se bebés mais difíceis de acalmar, fazem mais birras e tendem a ter mais comportamentos inadequados, pela dificuldade em controlar os seus próprios impulsos.

"As relações emocionais afectivas são as bases primárias mais importantes para o desenvolvimento intelectual e social."(4) Estas relações criam no bebé sentimentos de confiança e de segurança física, além de que cuidam de lhes providenciar as suas necessidades básicas, como a alimentação. São também elas "os arquitectos, os dirigentes, ou os organizadores internos da nossa mente."(4)


Esta relação e a expectativa que o bebé cria perante uma determinada acção, facilita o desenvolvimento da sua auto-estima e é uma forte motivação para aprender. "Esta aprendizagem está a alimentar a sua capacidade de vir a manter o controlo dos impulsos." Ensinam também a "comunicar e a pensar. Inicialmente, o sistema de comunicação da criança é não verbal. (...) Destes emerge um complexo sistema de resolução de problemas e de interacções reguladoras que se mantêm pela vida fora."(4)
"Quando existem relações sólidas, empáticas e afectivas, as crianças aprendem a ser mais afectuosas e solidárias e acabam por comunicar os seus sentimentos, reflectir os seus próprios desejos e desenvolver o seu relacionamento com as outras crianças e com os adultos."(4) É nesses primeiros meses que a criança tem a oportunidade de aprender a causalidade, "quando percebe que um sorriso tem como resposta um outro sorriso, de deleite, no rosto da mãe ou do pai. A criança generaliza então esta lição emocional ao mundo físico."(4)

"As inter-relações pessoais também ajudam as crianças a distinguir quais os comportamentos adequados e quais não são." Aprendem a interpretar as expressões do adulto, os seus gestos e as suas palavras, modelando o seu comportamento. Assim, também está a aprender a pensar e mais tarde, por volta dos 2 anos, deverá ser capaz de  interpretar os seus próprios comportamentos e desejos  "até representá-los na sua mente e etiquetá-los com uma palavra."(4)
 
Por outro lado, também a mãe (ou os pais) beneficiam com este contacto precoce. "Uma relação afectiva emocional e duradoira com um bebé ou uma criança pequena abre-nos o caminho a interacções que nos permitem interpretar e responder aos sinais emitidos pelo pequeno ser."(4) A mãe aprende a conhecer os sinais que o seu bebé lhe transmite, tendo com ele uma relação recíproca de comunicação e interacção.


Bibliografia:

(1)-CARMO, Sofia, "Mãe e bebé, uma dupla de sucesso", Pais e Filhos, Março de 2000;
(2)-SILVA, Carla Ramos, "O cordão dos afectos", Pais e Filhos, Agosto de 2000;
(3)-BRAZELTON, T. Berry, "O grande livro da criança", in: SILVA, Carla Ramos (2000);
(4)-BRAZZELTON, T. Berry e GREENSPAN, Stanley, "A criança e o seu mundo", Editorial Presença;


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