sábado, 23 de outubro de 2010

Viagem pelo trabalho de parto

"O nascimento de um bebé e de uma mãe é muito mais do que um assunto do corpo."(1)

Cada mãe terá a sua própria descrição deste momento. Não vou falar do meu parto, apenas colocar algumas afirmações acerca da forma como este decorre. Apenas aspectos técnicos que podem ser ponto de reflexão para as futuras mamãs.

Os sinais que antecipam o parto são vários e podem ser sentidos de forma diferente por cada mulher. Começam quando ocorre o apagamento do colo do útero - pré-parto. A occitocina é a hormona responsável pelo início das contracções, "muito irregulares e pouco perceptíveis: a cada meia hora, quinze minutos, uma hora depois..."(2)

A tranquilidade no início de todo o processo é importante para que o parto ocorra da melhor forma. "A Adrenalina, hormona que segregamos em momentos de stress, pode parar o trabalho de parto e isso é precisamente o que costuma acontecer, quando com um parto ainda numa fase muito inicial, chegamos a um hospital onde o lugar, o odor, as pessoas, são desconhecidas e nos falta intimidade."(2)


O colo do útero passa de uma longitude de dois e meio, três centímetros, para menos de meio centímetro. Só aí começa a dilatação. A saída do rolhão mucoso pode acontecer dias antes de dar à luz, muitas vezes sem a mulher dar conta. A dilatação divide-se em activa e passiva:

- A dilatação passiva pode demorar entre 6 e 8 horas para dilatar os primeiros três centímetros, ainda que possa levar até um dia inteiro, com contracções mais perceptíveis.

- Na dilatação activa, as contracções são mais intensas e ritmadas, cada vez mais seguidas (cada dois, três minutos). O bebé começa a deslocar-se pelo canal do parto, enquanto o colo do útero se dilata para permitir que em poucas horas ele saia. Nesta fase a mulher centra-se em si mesma e em tudo o que se está a passar no seu corpo.

A dor que acompanha as contracções é sentida de forma diferente de mulher para mulher e é ela que nesta fase deverá optar se quer a epidural. É uma dor "patológica, ou seja, não significa que algo de errado se está a passar no corpo, tem intervalos que permitem recuperar as forças" que a mulher necessita para prosseguir o seu trabalho e ajudar o seu bebé a nascer. Esta dor "dá indicações à mulher para mexer-se de forma a encontrar posições menos dolorosas" ajudando desta forma o bebé a encaixar-se na bacia da mãe e a percorrer o canal de parto.(3) Quando a dilatação perfaz cerca de dez centímetros, inicía-se o período expulsivo. O bebé empurra a partir de dentro participando activamente no seu nascimento, enquanto a mãe sente uma necessidade urgente de fazer força. As contracções começam a espaçar-se durante a expulsão. Este período pode durar entre 15 minutos a uma hora e meia ou mais.

Pouco depois do nascimento tornam a surgir contracções não dolorosas que ajudam na expulsão da placenta - dequitadura. É a última parte do parto.


Bibliografia:

(1)-ESTEVES, Ana, "Os primeiros dias de uma mãe", Pais e Filhos, Junho de 2007;
(2)-"O bebé quer nascer", Bebé d'hoje, Junho de 2007 - pp. 36 a 38;
(3)-LAMÚRIAS, Patrícia, "A dor boa", Pais e Filhos, Setembro de 2009.

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