segunda-feira, 4 de outubro de 2010

O berçário

Este post é dedicado a todas as Educadoras que este ano estão nas salas de Creche, em particular no berçário. É uma sala onde é fácil sentirmo-nos perdidas ou até que a nossa função ali não é valorizada.

Ser educadora de bebés não é sermos demitidas das nossas funções nem das nossas competências e mais-valias como profissionais e como pessoas. É, sim, aproveitar cada minuto para crescer com aqueles bebés. É aproveitar para os observarmos atentamente e construir projectos individuais consistentes. Permite criar laços afectivos com os bebés e com as suas famílias também, numa co-construção do percurso de cada bebé.

No início do ano é primordial a cooperação escola-família para uma óptima integração de cada bebé. E, sem esquecermos, que nesta faixa etária, os pais podem precisar de mais atenção que os seus filhotes. Muitas vezes, sofrem mais que os bebés esta separação obrigatória e podem sentir-se culpados por terem de deixar o seu bebé ao cuidado de outra pessoa.

O que mais parece preocupar as educadoras do berçário é saberem o que fazer com os bebés em termos de actividades. De ante-mão, todas sabem o que se pode esperar de um bebé, mas depois em casa quando querem planificar ou construir um projecto pedagógico e/ou educativo, caem na asneira de seguir os modelos usados para as salas dos mais crescidos. Não faz qualquer sentido se nos orientarmos pelas datas festivas do calendário como muitas vezes acontece, nem por temas. O que importa mesmo é definir objectivos a conquistar com cada uma dessas crianças. Objectivos viáveis, pensados e adequados.

E não falo aqui da boca para fora. Já passei pela consternação de ter de criar esses mesmos documentos para apresentar no colégio e, se na sala de 1-2 anos até consegui adequar algumas estratégias e seguir algumas linhas de orientação, a verdade é que na sala de 1º berçário isso seria impensável. Os bebés precisam de afectos, desafios, carinho, segurança e de espaço para se desenvolverem fisica, cognitiva, psicológica e emocionalmente. Isso consegue-se com uma equipa educativa presente, consciente do seu trabalho e acima de tudo, disponível para cada solicitação destes bebés.

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