quinta-feira, 7 de outubro de 2010

Hoje falamos de Indução

Indução do trabalho de parto:

As formas de nascer são várias e, estará errado quem pense, que uma é melhor que a outra. O parto é, sempre, um momento único, aconteça ele de que forma for. Será marcante para cada mãe por motivos diferentes. O nascimento do bebé é algo que os pais anseiam juntos, mas é um processo que normalmente se inicia como que de surpresa, mesmo que se saiba mais ou menos o dia previsto.

Por outro lado, existem os partos marcados para serem despoletados. São os chamados induzidos.



"Nascer com dia e hora marcada é, cada vez mais, uma prática comum em Portugal."(1)
Não se sabe o número de exacto de induções praticadas em Portugal, uma vez que nem sempre estas induções têm razões clinicamente comprovadas. "A tentativa de fazer coincidir o dia do parto com o dia de serviço do médico assistente é, de facto, um dos motivos do aumento das induções por conveniência."(1)

Esta não é uma prática isenta de riscos. "Uma das principais causas do aumento da taxa de cesarianas é a indução do parto em grávidas que ainda não têm o colo do útero maduro."(1)

A indução pode também levar a "contracções mais dolorosas, partos mais dolorosos e incómodos e a necessidade de outras intervenções."(1)

Para a equipa de Obstetrícia do Hospital Garcia de Orta em Almada, "induções, só com justificação clínica." Esta notícia alivia-me imenso porque é o meu hospital de referência. "O Hospital regista uma taxa de 16,7% de partos induzidos." Em S. Francisco Xavier, esta taxa "ronda os 20%".(1)

Os riscos da indução:

- Mães pela 1ª vez correm um risco duas vezes mais elevado de vir a ter uma cesariana;
- Hiperestimulação uterina, o que pode conduzir a sofrimento fetal;
- Necessidades de outras intervenções (soro, monitorização fetal contínua);
- Indicação para permanecer deitada;
- Dificuldade em suportar a dor (mais forte que no parto expontâneo);
- A ruptura artificial das membranas, procedimento habitual na indução do parto, pode provocar sofrimento fetal, o que aumenta as probabilidades de cesariana;
- Pode provocar o prolapso do cordão umbilical (o cordão sai antes do feto);
- Maior probabilidade de ruptura uterina em mulheres com cesariana anterior.

Quando fazer:

- Gravidez prolongada (mais de 41 semanas);
- Diabetes.

"Induzir o parto às 41 semanas é a prática dos hospitais em Portugal"(1), o que se justifica pela necessidade de uma vigilância mais apertada nesta fase de gravidez, o que nem sempre é fácil de ser conseguido.

"Dado que, a partir de cerca das 42 semanas, a placenta já não é tão eficaz no fornecimento de nutrientes, e que aumenta também a probabilidade de outras complicações quando passa a data de termo, se o parto não começar por si só, a maioria dos médicos efectua a indução duas semanas após o termo."(2)

Bibliografia:

(1)-AMORIM, Mª João, "A febre da indução", Pais e Filhos, Junho de 2007;
(2)-http://familia.sapo.pt/johnson/calendario_de_gravidez/perguntas_frequentes/829708.html

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