domingo, 29 de agosto de 2010

Cesariana: de que se trata e que riscos acarreta?

A realização de uma Cesariana é uma opção que se coloca em cima da mesa para muitas mães decidirem. Noutros casos, é um mal necessário ou, pode até ser um recurso de emergência. Mas de que se trata em concreto? Aqui ficam algumas informações sobre esta intervenção cirúrgica que descobri nas minhas pesquisas.

Sim porque aqui o menino ainda está pélvico e posso bem ser uma candidata a Cesariana e quero estar bem preparada para perceber tudo o que se está a passar.

Mas em primeiro lugar, como se realiza?

"A cesariana é uma intervenção cirúrgica abdominal com pós-operatório."(1)
"A grávida é transferida para a sala de operações – ou para uma sala de partos que possa converter-se em sala de operações. Depois, coloca-se um catéter na bexiga para drenar a urina durante a cirurgia, e uma agulha numa veia do braço (geralmente na prega do antebraço), por onde passará o soro e outros fármacos que sejam necessários. Após a desinfecção da parede abdominal, realiza-se uma incisão por cima do velo púbico (incisão de Pfannestiel), ou em forma vertical, desde o umbigo até ao limite do velo púbico (incisão mediana infra-umbilical)."
"A segunda incisão realiza-se no segmento do útero, logo acima do colo do útero. Depois, mediante uma pinça ou simplesmente com o dedo, rompe-se a bolsa e extrai-se o bebé."(2)
"Nesse momento, a mamã poderá sentir o anestesista e o obstetra a empurrar o abdómen para facilitar a saída da cabecinha ou a pélvis em caso de apresentação pélvica. Depois extrai-se a placenta e sutura-se o útero e a incisão no abdómen. A intervenção demora aproximadamente 30 a 60 minutos. Se a saúde do bebé o permite, a mamã terá oportunidade de pegar-lhe e beijá-lo tal como se tivesse nascido de parto vaginal. Embora dependa da política de cada instituição, é frequente que o pai possa assistir pelo menos ao nascimento do seu filho. Depois, juntamente com o bebé e o neonatologista, poderá entrar na sala de recepção do recém-nascido."(2)


De que forma se administra a anestesia?

"A anestesia habitualmente é epidural. Pode administrar-se no espaço peridural ou no espaço raquidiano, em ambos os casos através de uma punção nas costas. Devido ao facto de estar desperta, a mamã pode ver e ouvir o seu bebé. Em caso de emergência, algumas vezes pode requerer-se anestesia geral."(2)


Que riscos poderão estar associados?

Tratando-se de uma intervenção cirúrgica, poderá trazer alguns riscos:

Para a mamã:

- Morbilidade e mortalidade significativa, mais elevadas do que no parto vaginal;
- Maior risco de internamento nos Cuidados Intensivos;
- Risco hemorrágico 6 a 8 vezes superior;
- entre outros. (3)

No caso de cesariana anterior, já se sabe que nem sempre significa haver necessidade de efectuar esta técnica nos partos seguintes, uma vez que "hoje em dia, o tipo de incisão efectuada é horizontal, na zona inferior do útero e resulta numa menor perda de sangue durante a cirurgia e menor risco de rotura uterina nos partos seguintes"(4) enquanto que antigamente se utilizava a incisão vertical.
Este tipo de incisão permite que um cada vez maior número de mulheres possa ter um "parto por via vaginal após cesariana prévia."(4)
Por outro lado, "a cesariana anterior associa-se a uma maior incidência de placenta prévia e de placenta acreta (quando a placenta invade a parede uterina, tornando difícil a normal separação que deverá ocorrer depois do nascimento do bebé). Esta situação pode levar a hemorragia abundante no pós-parto, com necessidade de transfusão de sangue e pode mesmo ser necessária a histerectomia (tirar o útero) para o seu controlo."(5)
Também se fala de um maior risco de gravidez ectópica e de aumento da infertilidade. Estas e outras complicações devem ser ponderadas embora muitas destas cirurgias decorram normalmente sem qualquer complicação, sendo estes aqui apresentados alguns dos casos excepcionais.

Para o Bebé:

- Risco de lesão fetal na altura da histerectomia e da extracção;
- Risco de síndroma de distress respiratório nas cesarianas electivas efectuadas antes das 39 semanas. (3)

No que respeita ao bebé, em opção ao parto vaginal, uma curiosidade: segundo "uma investigação feita nos EUA", a cesariana faz aumentar o risco de cáries no bebé. "A explicação avançada pelos investigadores prende-se com o facto de os bebés nascidos por cesariana serem menos resistentes à acção de bactérias por serem menos expostos à sua presença na altura do nascimento."(6)




Bibliografia:

(1)-"A Cicatriz da Cesariana", Bebé d´hoje, Maio de 2010;
(2)-http://familia.sapo.pt/gravidez/parto/mae_ideal/825167.html
(3)-CAMPOS, Diogo Aires, in: AMORIM, Mª João, "Sai uma cesariana", Pais e Filhos, Janeiro de 2006;
(4)-"Cesariana: outra forma de vir ao mundo"-Anuário, 2004, Superbebés (pp 68 a 70);
(5)-BERNARDO, Ana, "Cesarianas: abrir e fechar quantas vezes?", Pais e Filhos, Outubro de 2005;
(6)-"A cesariana faz aumentar o risco de cáries no bebé", Pais e Filhos, Outubro de 2005, p.99;

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