sexta-feira, 20 de agosto de 2010

Mitos na gravidez - parte 1

Esta é uma postagem para as que como eu esperam o primeiro filho (e não só), mães de primeira viagem e que "engravidam pelas orelhas" como se diz na minha terra. Para as que se dividem entre o que diz a vizinha e o que diz a médica assistente, entre o que diz a sogra e o que diz a avó, sem saber para que lado se hão-de virar, em quem acreditar, ou mesmo quando não rir para tentar parecer simpática.

Os mitos são ditos que passam de geração em geração, de boca em boca e podem ser diferentes de terra para terra. Se calhar serão mais usuais nas aldeias pequenas, mas nas cidades também se ouvem embora não tenham um peso tão acrescido. Muitos deles sabemos logo que são fantasias que já têm barbas enquanto que outros nos poderão fazer ficar a ponderar na sua veracidade.

Desde os mais incríveis relatos de acontecimentos algo "sobrenaturais" e inexplicáveis até à influência das fases da Lua, muitos são os mitos que povoam os nove meses que dura habitualmente a gestação. Algumas mulheres ainda acreditam em alguns e seguem à risca ditos e costumes. Mas de onde, na história, nos chegam esses mitos?

"Já ninguém acredita que uma mulher só por comer grandes quantidades de chocolate vai ter um filho negro. Ou que até ovos de galinha podem sair do ventre de uma grávida." Havia ainda quem ponderasse sobre a quantidade de esperma necessário para conceber um bebé perfeito."(1)

Na verdade pouco se sabia do que se passava no interior do corpo humano e a concepção e a gravidez eram um dos maiores mistérios da antiguidade.

E quanto à dúvida de ser rapaz ou rapariga? "Parménides acreditava que a semente masculina e a semente feminina travavam no útero uma luta e a que vencia dava o seu sexo à criança." Para "Hipócrates, médico grego, considerado o pai da medicina (...) o testículo direito gerava rapazes e o esquerdo raparigas, daí que na Grécia antiga muitos homens atassem ou até removessem o testículo esquerdo por forma a terem filhos machos."(1) Tendo em conta a não existência de anestesia, imaginem como era ser mulher naquela altura, se os homens preferiam suportar essas dores a terem uma filha!

Outros ainda se ouvem nos nossos dias: "grávida de um rapaz, a mãe sente-se bem disposta, alegre e bonita" (oh, oh p'ra mim tã linda! eheh), "grávida de uma rapariga, ela está triste, rabujenta, adoentada e pálida", ou até outros como a "observação do ventre materno: a forma arredondada ou a forma pontiaguda é sinal do nascimento de um rapaz... ou rapariga, consoante as opiniões. E depois há o teste do pêndulo."

Aqui ficam apenas alguns dos exemplos que encontrei. Certamente pelo país/mundo fora haverão muitos outros. Convido-vos a partilhá-los e, quanto mais inacreditáveis, melhor!


Bibliografia:

(1)-AMORIM, Mª João, "Gravidez, mitos e superstições", Pais e Filhos, Agosto de 2002

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