quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Obesidade: um risco acrescido na gravidez

Existem várias doenças associadas à obesidade, mas quando a estas se acresce uma gravidez, os riscos aumentam consideravelmente. Um desses riscos é "o aumento da incidência de diabetes e hipertensão arterial, calculado em 3 a 10 vezes superior ao de pessoas não obesas."(1)

Existem diversos problemas associados à obesidade:

- Doença coronária arterial - com risco aumentado para enfartes agudos do miocárdio;
- AVC's;
- Infertilidade;
- Cancro;
- Dislipidémias - alterações do processamento das gorduras corporais;
- Osteoartrite - doença dos ossos e articulações que limita a mobilidade;
- Patologia da Vesícula Biliar;
- Apneia do sono;
- Alterações do estado de saúde mental;
(1)

"A obesidade durante a gestação está associada ao alto índice de mortalidade dos recém-nascidos, além do nascimento de crianças com defeito no tubo neural, que dá origem ao cérebro e à medula,"(2) entre outras possíveis complicações:

- Macrossomia fetal - bebés grandes, com partos potencialmente mais complicados e com mais riscos neo-natais;
- Prematuridade;
- Parto distócito instrumental;
- Infecções urinárias de repetição e Pielonefrite (infecção das vias urinárias superiores);
- Aborto;
- Diabetes permanente - após terminar a gravidez, com ou sem necessidade de insulina.
(1)
"A obesidade é um factor de risco independente para o desenvolvimento de pré-eclampsia" e está igualmente "associada ao aumento da prevalência de doenças respiratórias maternas, como a asma e a apneia do sono, que se podem intensificar durante a gravidez e que, num pequeno número de casos, pela dificuldade de oxigenação, pode ter consequências também no feto."(1)

"Mantém-se ainda alguma controvérsia no que diz respeito ao aumento do risco de defeitos congénitos do feto, estruturais, especialmente do tubo neural (espinha bífida)", embora se ache que "este tipo de defeitos é mais comuns nas mulheres diabéticas sem controlo apropriado prévio à gravidez."(1)

O estreitamento do canal de parto, bem como a macrossomia fetal, podem conduzir a um parto por cesariana. No entanto, "no caso de necessidade de anestesia geral, existe uma maior dificuldade na introdução do tubo necessário para a ventilação, dificuldade no ajuste das dosagens dos fármacos anestésicos e reversão do efeito dos mesmos. No caso de utilização de anestesia loco-regional (epidural) existe uma maior dificuldade no acesso ao local onde se deve introduzir o anestésico."(1)

Apontam-se então três níveis principais de intervenção, nos casos de obesidade na gestante:

- Prevenção Primária - inclui "redução do peso", "através de modificações nos hábitos alimentares e de exercício físico."(1)

- Prevenção Secundária - "deverá ter um acompanhamento especial da sua alimentação, para que não haja um aumento exagerado de peso durante a gestação"(1).
A partir do terceiro mês de gravidez, a mulher deveria ingerir cerca de 2.800 calorias por dia. "Ganhar peso excessivo no período gestacional ou iniciar esse período com sobrepeso são fatores de risco para complicações como diabetes, hipertensão e pré-eclâmpsia, principalmente no final da gestação."(2)

Deverá ainda haver uma "vigilância adequada do bem estar-fetal."(1)
- Prevenção Terciária - "Devem tratar-se eventuais complicações que se desenvolvam durante a gravidez e reavaliá-las após o parto. Um exemplo é a diabetes gestacional,"(1) o qual tem um mecanismo "idêntico ao dos outros tipos de diabetes: tem a ver com a forma como o organismo usa o açúcar (glucose), a nossa principal fonte de energia."(3)



Bibliografia:

(1)-PINHO, João Campos e FERREIRA, José Carlos, "Obesidade e gravidez", Pais e Filhos, Dezembro de 2005;
(2)-http://www.gestantes.net/obesidade-na-gestacao/
(3)-http://medicosdeportugal.saude.sapo.pt/action/2/cnt_id/2738/

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